quinta-feira, 16 de junho de 2011

Actividades do Centro vistas através dos convites ...

Pareceu-nos interessante, reunir aqui a lista de convites que a nossa Coordenadora concebeu e materializou para divulgação de algumas das actividades desenvolvidas pelo nosso Centro de Oportunidades, ao longo deste ano de trabalho.



sexta-feira, 8 de abril de 2011

Rumo ao futuro ...

Por sugestão das formadoras de STC e CLC, Adriana Bernardes e Sofia Mouquinho, incorporámos este interessante documentário, a partir do qual os candidatos poderão recolher informação relevante, no âmbito do Núcleo Gerador de Ambiente e Sustentabilidade, para posterior reflexão  a integrar nos seus portefólios.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Textos autobiográficos (3) Como Sofia de Melo Breyner começou a escrever para crianças ...

Na passagem, abaixo transcrita, Sofia de Melo Breyner  relata a origem autobiográfica dos seus contos para crianças:

Porque comecei a escrever para crianças?
Comecei a inventar histórias para crianças quando os meus filhos tiveram sarampo. Era no Inverno e o médico tinha dito que eles deviam ficar na cama, bem cobertos, bem agasalhados. Para isso era preciso entretê-los o dia inteiro. Primeiro contei todas as histórias que sabia. Depois mandei comprar alguns livros que tentei ler em voz alta. Mas não suportei a pieguice da linguagem nem a sentimentalidade da «mensagem»: uma criança é uma criança, não é um pateta. Atirei os livros fora e resolvi inventar. Procurei a memória daquilo que tinha fascinado a minha própria infância. Lembrei-me de que quando eu tinha 5 ou 6 anos e vivia numa casa branca na duna - a minha mãe me tinha contado que nos rochedos daquela praia morava uma menina entre os rochedos, essa menina marinha tornou-se o centro das minhas imaginações. E a partir desse antigo mundo real e imaginário, comecei a contar a história a que mais tarde chamei «A Menina do Mar».
Os meus filhos ajudavam. Perguntavam:
- De que cor era o vestido da menina?
- O que é que fazia o peixe?
Aliás, nas minhas histórias para crianças quase tudo é escrito a partir dos lugares da minha infância.
Sofia de Melo Breyner Andresen in Luísa Ducla Soares(coord.), A Antologia Diferente: De Que São Feitos os Sonhos, (Porto, Areal Editores, 2000)

domingo, 20 de março de 2011

O Tempo ...

"Quando se é novo pensa-se que o tempo vai resolver os problemas,  e depois a partir dos quarenta percebe-se que o tempo é que é o problema."

António Lobo Antunes, Entrevista ao Diário de Notícias de 18/11/2003

quinta-feira, 10 de março de 2011

Textos autobiográficos (2)

Os três volumes das Memórias de Raúl Brandão encontram-se disponíveis, nos seguintes endereços:

Memórias I
Memórias II
Memórias III


Raul Brandão retratado por Columbano Bordalo Pinheiro

Um extracto das referidas Memórias:

O QUE EU VI E OUVI
(Do meu diário)
REPÚBLICA E MONARQUIA


Todos os dias corre notícia de contra-revolução. No Porto (15 de Março de 1911) conspira-se: tem havido reuniões de oficiais e soldados.
 – Estamos prontos – dizem. Querem separar Lisboa do Norte e fazer «daquilo uma barcelonada...
Couceiro vai ao Ministério da Guerra prestar declarações. Fervem boatos. Que é isto? E o Junqueiro, de grandes barbas, surge e diz, com o olho em brasa:
– Esta gente tem a habilidade de pôr toda a burguesia contra nós. Não se lembra de que o boi de dar bifes pode transformar-se no boi de dar cornos. O Paiva Couceiro disse exactamente ao ministro da Guerra o que ocorre por aí impresso, pedindo o plebiscito e desligando-se da sua palavra. Ora Couceiro é destes homens que só quatro balas podem deter. Por isso a contra-revolução é possível; por isso e porque à República falta idealismo e grandeza e só tem cometido erros. Estamos pondo contra nós a mesma burguesia que nos deixou fazer a República. E essa gente do Correio da Manha procede com habilidade. Primeiro era preciso tornar o rei simpático, o rei que nunca foi senão um menino-de-coro, e começaram a afirmar que ele quis ir para o Porto e que o não deixaram. Depois limparam-no da montureira, do Alpoim, do Teixeira de Sousa e até do padre Cabral, declarando que a «Monarquia Nova» nada queria com os políticos velhos nem com os jesuítas. Limpo o rei e limpa a Monarquia do esterco, que lhes faltava?Uma bandeira e um herói.
Ei-los a clamar: – Não hesite o Governo: a bandeira da República deve ser verde e encarnada. – E ficaram com a azul e branca e com o Paiva Couceiro. Agora, dum instante para o outro arranjam dois mil contos, quando nós nunca pudemos conseguir cem, no tempo da propaganda. Homens habituados aos negócios, o José de Azevedo e outros, não lhes faltam. Falta-lhes o Pais – e é o que os republicanos empurram todos os dias para o seu lado. Nós é que nos havemos de apear, verá. E não há dúvida nenhuma de que se houver barulhos em Lisboa temos uma intervenção espanhola. Sabe a vontade que isto dá? A de ir fundar uma república no Sete-Estrelo!
–E ele lá vai, cofiando a barba, pregar a outra freguesia. Muita gente com cara de caso... É aquele tipo dos boatos que segreda ao ouvido:
– Os monárquicos têm uma frota misteriosa... O terror. – Tipos bem instalados na vida sobem o Chiado a toda a pressa, olhando, desconfiados, para os lados. Corto a casa do Alpoim, que sabe sempre tudo e está cheio de medo.
– Que há?
– O plano é fazer uma contra-revolução no Norte, a que se seguirá, naturalmente,uma sublevação imediata dos jacobinos de Lisboa, com assaltos e mortes. [...]

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

TEXTOS AUTOBIOGRÁFICOS (1)

Perante a tarefa de elaborar um texto autobiográfico o candidato sente a angústia inicial de não saber como começar … o que escrever …

Poderá ter a tentação de proceder a um mero registo cronológico da sua vida, enunciando dados como o local e a data de nascimento, as suas características físicas ao vir ao mundo, os nomes dos familiares, o ingresso na escola …

Parece-nos que a leitura de textos autobiográficos de personalidades célebres, nomeadamente escritores, poderá ser inspiradora, não com o intuito de incentivar o plágio ou a reprodução acrítica de modelos, mas com o objectivo de fazer despertar e gerar novas formas de superar o impacto da página em branco.

Pede-se a colaboração de todos ─ candidatos profissionais, formadores e demais leitores ─ solicitamos por este meio, a indicação de obras autobiográficas para serem aqui divulgadas.

Para encerrar este post transcrevemos um trecho da Autobiografia de Agatha Christie:


Deveria estar a escrever um romance policial; no entanto, com aquela natural tendência do escritor para escrever seja o que for, excepto aquilo que deveria estar a escrever, inesperadamente senti vontade de escrever a minha autobiografia. O anseio de escrever a própria biografia, ouço dizer, tarde ou cedo se apossa de uma pessoa. Subitamente tomou conta de mim.

Pensando melhor, a palavra 'autobiografia' é por demais pomposa. Sugere o propósito de elaborar um estudo acerca da própria vida. Implica escrever nomes, datas e lugares em cuidadosa ordem cronológica. Porém, o que desejo mesmo é mergulhar a minha mão numa espécie de caverna maravilhosa e daí extrair um punhado das mais diversas recordações.

No meu entender, a vida consiste em três partes: o absorvente e habitualmente agradável presente, que corre minuto a minuto com velocidade fatal; o futuro, obscuro e incerto, em relação ao qual podemos imaginar grande número de planos interessantes, e se insólitos e improváveis tanto melhor, visto que ─ como nada virá a ser como esperávamos que fosse ─ ao menos divertimo-nos enquanto os planeávamos; e a terceira parte, o passado, as recordações e as realidades que são os alicerces da vida presente e que nos surgem de repente, trazidas por um perfume, pela forma de uma colina, qualquer canção antiga, trivialidades que nos fazem de súbito murmurar: "Eu lembro-me...", com um peculiar e quase inexplicável prazer.
Esta é uma das compensações que a idade nos dá e, certamente, é muito agradável: recordar.


Agatha Christie, Autobiografia, (Lisboa, Livros do Brasil,s/d)