quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Questões de Género - Género e Ciência

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Iremos descrever casos de exclusão das mulheres das instituições e das práticas científicas, assim como as consequências de tal exclusão.

Actualmente, há quem pense que a exclusão da mulher da ciência não constituía assunto de polémica antes do final do século XIX. Interrogam-se:
Se as mulheres não eram cientistas, qual é então o objecto de debate ?

No entanto, os factos demonstram que nos séculos XVII e XVIII a participação da mulher na ciência era uma questão em aberto.

A complexidade do processo de exclusão pode ser ilustrado por duas histórias correlacionadas: a construção dos fundamentos institucionais da ciência moderna durante as revoluções que marcaram as suas origens e as mudanças do destino da mulher dentro destas instituições.

Em geral, as mulheres foram impedidas de frequentar as universidades e foi-lhes negado o acesso às academias. Quer a Royal Society of London, quer a Académie Royale des Sciences ou ainda a Societas Regia Scientiarum de Berlim, entre outras academias europeias, não admitiam o ingresso das representantes do belo, frágil e fútil sexo.

Foram excepção algumas instituições italianas onde pontificaram Maria Agnesi (1718-1799) de Milão, distinta matemática, membro da Academia de Ciência de Bolonha, cujo trabalho foi traduzido para francês sob os auspícios da Académie Royale des Sciences mas não foi convidada para membro da mesma, pelo simples facto de ser mulher e Laura Bassi (1711 – 1778), professora de Física na Universidade de Bolonha e membro da Academia de Ciência de Bolonha.

Por exemplo, na Alemanha, o número de astrónomas, era muito elevado, sendo que 14% de todos os astrónomos alemães entre 1650 e 1710 eram mulheres. Foi o caso de Maria Winkelmann (1670 -1720), brilhante astrónoma. Teria sido apoiada por Leibniz, mas ostracizada pela Academia de Ciências de Berlim, instituição que não aceitou os seus sucessivos pedidos para continuar a ocupar o lugar de assistente do astrónomo da academia, após a morte do marido, Gottfried Kirch.
O cargo foi atribuído a um candidato incompetente e desleixado, ao invés de ser concedido a uma mulher com provas dadas — incluindo a descoberta de cometas e a elaboração de calendários — e com toda uma vida dedicada à observação astronómica. As filhas, tal como ela, só tiveram direito ao lugar de assistentes do irmão.

Ainda na Alemanha, destacou-se Dorothea Erxleben (1715- 1762) que se doutorou em Medicina : teve formação académica, sendo a primeira mulher alemã a alcançar uma graduação nesta área, à custa do apoio incondicional dos pais, de numerosas petições sob circunstâncias e condições diferentes (adversas) das dos estudantes do sexo masculino.



Ilustração de de Maria Sibylla Merian. Imagem retirada daqui

Neste país, as mulheres também participavam na produção científica e tecnológica como aprendizes dos pais , de que constitui exemplo, Maria Sybylla Merian (1647-1717), célebre entolomogista do século XVIII , ilustradora e inovadora no campo das técnicas de impressão, cuja obra científica mais relevante, Metamorphosis insectorum Surinamensium, foi elaborada no Suriname.

Figuras femininas de elevado nível intelectual, foram confinadas ao papel de assistentes dos membros da família cientistas do sexo masculino, como é o caso de Madame Lavoisier (1758 –1836) ou Caroline Herschel (1750 – 1848), a primeira mulher a publicar artigos científicos na Philosophical Transactions da Royal Society, da qual não era sócia —porque a referida sociedade só a partir de 1945 admitiu associadas. No entanto, a Royal Astronomical Society concedeu-lhe a sua Medalha de Ouro e elegeu-a seu membro honorário em 1835!



Rosalind Franklin
Imagem retirada de Profiles in Science

Já em pleno séc. XX, uma investigadora da importância de Rosalind Franklin (1920 - 1958), ficou na sombra, sendo favorecidos J. Watson e F. Crick, apesar do trabalho da primeira ter sido decisivo para a descoberta da dupla hélice do DNA. A química Lise Meitner (1878 —1968) relatou que foi inicialmente proibida de trabalhar no laboratório com os colegas do sexo masculino.


A cultura ocidental está profundamente marcada pelas diferenças de género. Ao marginalizar as mulheres da ciência a cultura europeia perdeu parte do seu passado.
A neutralidade da ciência não é possível se determinados grupos, temáticas e problemas forem sistematicamente excluídos das suas instituições e projectos de investigação .
Uma vez que é precisamente a reivindicação de neutralidade dos cientistas que dá tanta consistência e autoridade às explicações que estes elaboram a partir dos dados experimentais, continua a ser pertinente questionar a ciência no seu próprio terreno e alertar para as situações em que ela se desvia dos seus cânones de imparcialidade quer na prática profissional quer na selecção e interpretação dos factos, como acontece quando a ciência é contaminada pela prática de discriminação sexual na sociedade.

A consequência ideológica de uma divisão (entre produção e reprodução) que identificou os homens com a produção e as mulheres com a reprodução foi uma bifurcação entre teoria e prática, objectividade e subjectividade, razão e sentimento e entre individualidade e mutualidade; mesmo estando todos estes conceitos igualmente implicados nos dois processos.

A referida divisão desencadeou efeitos perniciosos na actividade e no desenvolvimento científicos, conduzindo muitos cientistas, homens e mulheres, a concentrarem - se apenas no comportamento individual dos respectivos objectos de estudo negligenciando a sua interacção e interdependência mútuas.
Cabe à comunidade científica descodificar os modos como os padrões de objectividade e neutralidade são utilizados na mistificação das actuais relações da ciência com a sociedade.

O objectivo não será o de rejeitar os critérios vigentes e os substituir por um relativismo que valide igualmente o sexismo e o feminismo, mas antes o de identificar e combater as materializações e objectivações do sexismo, inclusivamente as dicotomias, sejam elas de foro ideológico ou prático, entre produção e reprodução.

Bibliografia

António Manuel Nunes dos Santos; Maria Amália Bento; Christopher Auretta, Mulheres na Ciência, Lisboa, Gradiva, 1991.
Evelyne Fox Keller, Reflections on Gender and Science, New Haven/London, Yale University Press, 1985), pp.158-176.
Lígia Amâncio e Patrícia Ávila , “O Género na Ciência,” in Jorge Correia Jesuíno (ed.), A Comunidade Científica Portuguesa nos Finais do Século XX, Lisboa, Celta, 1995, pp.138-139.
L. Jordanova, in Ludmilla Jordanova, (ed.), “Naturalizing the Family: Literature and Bio-Medical Sciences in the Late Eighteenth Century,” Languages of Nature: Critical Essays on Science and Literature, London, Free Association Books, 1986.
Janet Sayers, “Feminismo e Ciência,” in Steven Rose; Lisa Appignanesi, (eds.), Para uma Nova Ciência, Lisboa, Gradiva, 1986.
Londa Schiebinger, The Mind Has No Sex? Women in the Origins of Modern Science, Cambridge, Harvard University Press, 1996.

sábado, 4 de julho de 2009

Formação de Adultos

Rui Canário (1999), citando António Nóvoa, indica seis princípios capazes de servir de orientação a qualquer projecto de formação de adultos (pp.21-22).
6º Princípio
“E não nos esqueçamos nunca que, como dizia Sarte, o homem caracteriza-se, sobretudo, pela capacidade de ultrapassar as situações pelo que consegue fazer com que os outros fizeram dele. A Formação tem de passar por aqui”.
CANÁRIO, Rui, Educação de Adultos, Um campo e uma Problemática, EDUCA -

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Formação de Adultos

Rui Canário (1999), citando António Nóvoa, indica seis princípios capazes de servir de orientação a qualquer projecto de formação de adultos (pp.21-22).

Principio: “A formação deve desenrolar-se preocupando-se em desenvolver, nos formandos, as competências necessárias para serem capazes de mobilizar, em situações concretas, os recursos teóricos e técnicos adquiridos durante o processo formativo”;
CANÁRIO, Rui, Educação de Adultos,
Um campo e uma Problemática, EDUCA -